“Vós sois a luz do mundo; […]
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”
Mateus 5:14,16

O impossível


o impossível

Existem limitações em minha vida de mãe, que me incomodam profundamente. Uma delas é a minha dificuldade em fazer minha filha mais nova, Laura Amélie, reagir positivamente ao novo, ao inusitado. Pode ser o que for: entrar em uma casa que ela nunca entrou; ir por primeira vez a uma igreja; dizer oi a um “estranho” (amigos nossos que ela não conhece); dizer tchau; atender ao telefone (ela paralisa de medo, não tem coragem nenhuma); tocar uma campainha; sentar sozinha, mesmo que ao meu lado, no teatro. Tudo passa a ser um horror, é como se ela estivesse pronta pra cair em um abismo, se ela der um passo a terra engole ela, ela paralisa, começa chorar silenciosamente, mais em desespero. Não houve receita ou método que a faça sair desse clima de pânico.  

Bem. O ano passado, em sua festa de 5 anos, aconteceu 2 vezes seguidas. Minha sorte, é ter uma amiga psicóloga, fantástica, biônica, genial, que se trancou com a Laura num cômodo da casa e em questão de minutos, Laurinha saiu de lá sorridente e feliz de usar sua fantasia de coelhinha… eu mesma, não teria conseguido.

Eu sei que, na maioria das vezes, ela faz pra chamar minha atenção. Mas nem sempre é isso. Porque não consegue dizer ALÔ? Quem está falando? Porque não consegue descer do carro e dizer pra monitora do portão da escola da irmã: –Chama a Elina. Porque? Eu não consigo reagir positivamente, fico desesperada, não consigo aceitar que ela chore por pânico de fazer algo assim tão simples…

O que devo fazer? Como me comporto quando essas coisas acontecem? Ignoro? Será que ignorar é o melhor? Ela poderá crescer e continuar travando em qualquer situação nova que a vida apresentar. Eu não sei… mas vou descobrir.

Minha missão com Laurinha é conseguir que ela entenda que ela é capaz de fazer qualquer coisa, que ela pode errar e mesmo assim estaremos aqui apoiando ela. Que ela seja capaz de encarar as dificuldades da vida de frente, sem temor, compreendendo que é humana e possui limitações. Mas que sobretudo, ela possa ser capaz de tentar, mesmo o impossível.